sexta-feira, julho 25
Os abnegados que visitam este espaço com alguma regularidade já devem estar encafifados com a descarada falta de atualizações. Como tudo nessa vida tem uma explicação, aqui vai a minha: ando meio doente, só para variar. Logo, não há clima para escrever as abobrinhas costumeiras. Nesses últimos dias constatei que sala de espera de consultório médico é um dos locais mais deprimentes que uma pessoa pode frequentar. A cada cena testemunhada vem sempre o mesmo pensamento: Meu Deus, é isso que o futuro me reserva...
segunda-feira, julho 14
Já era pr'eu ter escrito isso há um tempão, só que ando numa indolência digna de figurante de novela das oito passada na Bahia. Perdi um pouco do timing mas que se dane. Incrível como ninguém atentou para o verdadeiro motivo por trás da intensa comemoração que seguiu-se à derrocada de São Paulo na briga para sediar a Olimpíada de 2012. Foi apenas uma demonstração de alívio coletivo. Não mais existe o risco de virmos a ser bombardeados com a execução maciça da canção-tema dos Jogos composta pelo Supla (a pedido da mãe, naturalmente).
quinta-feira, julho 10
Lembrei de um outro dividendo que a vida campestre proporciona aos que nela se refugiam: o sumiço completo das habituais ansiedades e neuroses. Só após deixar o sítio fui notar que minhas unhas estavam intactas, passara quase duas semanas esquecido de roê-las obsessivamente; pensamentos depressivos também não encontraram espaço para se manifestar. Mudando um pouquinho de assunto, vale citar uma hora em que a monotonia impera no campo: quando anoitece. O jeito era jogar conversa fora (pouco recomendável, sempre descambava para a melancolia nostálgica regada a álcool), ouvir música, ler um livro (complicado, a luz era fraca) ou assistir televisão. Mas lá só pegava Globo, Bandeirantes, SBT e Record (que mané tv a cabo!). Trocando em miúdos, só tinha Globo. Porque o resto, Deus me livre. As novelas ainda consegui aturar, mas quando chega o domingo... Fantástico é sacanagem! Muito ruim. Virei pro lado e só acordei na manhã seguinte. Dormi às 21:30 naquele dia, provavelmente um recorde pessoal. O que não deixou de ser uma coisa boa, talvez eu devesse agradecer aos criadores do Fantástico.
sexta-feira, julho 4
Não tem jeito mesmo, isso aqui está definhando a olhos vistos. Após quase dois anos de blog cheguei praticamente ao limite, não encontro mais nada para acrescentar a esse monólogo enfadonho (é o meu estilo, fazer o quê?). Não estou para muita conversa, a simples idéia de escrever um novo post me causa desconforto. O contraste com o péssimo momento atual provoca uma saudade absurda daquela vidinha bucólica no sítio. Apesar de esmaecidas, as lembranças ainda estão vivas (perdão pelo uso indiscriminado de platitudes, é um velho hábito). Tirando o primeiro dia em que sofri ao tentar, em vão, dormir num quarto que mereceu o carinhoso apelido de "frigorífico", o restante foi ótimo. Ops, pensando bem... Mesmo sob risco de me indispor com os puristas da vida no campo, devo admitir que o aroma que se desprende do estrume é algo que não me apetece muito. Pronto, este foi o último senão. Sinto falta de uma porrada de coisas. De ser despertado de manhã pelos raios de sol que atravessavam a janela de maneira difusa; de abrir a janela e dar de cara com uma bela paisagem em vez dessa escumalha que vejo todo dia na rua; de caminhar na grama molhada de sereno recolhendo os pinhões que caíram durante a noite; de almoçar perto do fogão a lenha e depois morgar na rede; do silêncio absoluto, só quebrado pelo canto dos pássaros durante o dia; de ser rodeado na trilha por dezenas de borboletas enquanto ouvia o Pet Sounds no discman; de procurar por uma folha serrilhada que era a refeição favorita dos patos; do sotaque interiorano que eu já estava adquirindo por osmose; da disposição física e mental que desapareceu após o retorno à terra dos sufixos diminutivos; e se bobear, até daqueles morcegos chatos que ficavam guinchando no telhado.
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